Salvaterra é Fixe - Editor: José Peixe

Opinião

3 de Novembro de 2009

Procura-se autor anónimo e «destemido»

«Sr. Helder Esménio, e as facturas conferidas? E sobre o dinheiro recebido para pavimentar ruas em Muge, Glória, Foros, Marinhais, Salvaterra e Granho? E sobre o dinheiro recebido para a rua do furo em Marinhais e para a falcoaria em Salvaterra? E sobre o dinheiro recebido para construir as ETARs em Salvaterra e Marinhais? Tudo isto nos anos 90!».

Esta foi a mensagem escrita que andou a circular de telemóvel em telemóvel, no dia das eleições autárquicas. Por instantes, o medo – aliado à cobardia – deu lugar à insinuação. Não está em causa o conteúdo da mensagem; está, isso sim, os efeitos nefastos que se pretenderam atingir sem olhar a meios. Tudo vale. Mesmo na política de esquina, onde meia dúzia de indivíduos se digladiam por quase nada, a ambição leva ao exagero. Quem se deu ao trabalho de elaborar a tal ensagem escrita, gosta de jogar por baixo da mesa. Adora substituir os saltos altos – que tanta altura lhe dão – pela batota. E mais consideração do que esta não merece.

O problema de Salvaterra de Magos não é mais do que o problema do país inteiro. Gente acanhada que faz contas à vida, pessoas que mal sabem ler e escrever, que ainda escondem o dinheiro debaixo do colchão, que só sabem o que é um bife uma vez por ano. Não é ficção; é o país real. O país a que os políticos com carreira feita teimam em fechar os olhos; em fazer de conta que não os vê, do outro lado da margem, a querer atravessar a ponte para um vida minimamente digna. Gente que se governa com pouco mais de 200 euros por mês. São verdadeiros gestores. Talvez as empresas públicas ganhassem mais se os metessem à frente delas.

Estamos cansados. Incorremos o risco de parecermos redundantes. Porque falamos sempre da falta de teatros; da inexistência de uma única sala de cinema; da falta de perspectiva para quem deseja trabalhar; da falta de médicos e de espaços onde, para se ter acesso à saúde, não sejam precisas filas de espera e muita fé para ser atendido. Não parece, mas estamos cansados; de fingir que votamos em consciência, de que não temos medo, de que não somos perseguidos. Era bom que ainda fossemos a tempo de remediar o mal que já está feito.

 

ForcadoAmador

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