Salvaterra é Fixe - Editor: José Peixe

Política Nacional

15 de Dezembro de 2008

Defender uma alternativa de Esquerda

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Manuel Alegre acredita numa Democracia mais limpa e justa

O POETA QUE NÃO DÁ SOSSEGO A SÓCRATES
O deputado socialista Manuel Alegre defendeu hoje a criação de uma “alternativa de poder” de esquerda, que “vá a votos” e não excluiu o cenário de criação de um partido político. Na sessão de encerramento do fórum “Democracia e serviços públicos”, em Lisboa, patrocinado por si, pelo Bloco de Esquerda, renovadores comunistas e independentes, Alegre fez a defesa das convergências à esquerda, “mais difíceis de construir”.
“Mas esse é o novo tabu que é preciso quebrar. A reconfiguração da esquerda implica a capacidade e a vontade de construir uma perspectiva alternativa de poder”, afirmou aos presentes no encontro, na Aula Magna, em Lisboa.
Já depois do fim do encontro, que tiveram na primeira fila o líder do BE, Francisco Louçã, e Cipriano Justo, da Renovação Comunista, Manuel Alegre, questionado pelos jornalistas, disse que não é “santo milagreiro” e que o que vier a surgir “não é de um dia para o outro”.
Questionado sobre se a “base programática” que saiu do fórum é para ir a votos, a resposta foi afirmativa: “É para ir a votos. Não sou eu que defendo a insurreição. Já defendi, mas era quando vivíamos em fascismo, em ditadura”.
Já sobre o cenário eventual de criação de um partido político, o ex-candidato presidencial afirmou: “É um movimento que pode partir para tudo. Nada está proibido pela lei”. O ex-candidato presidencial afirmou que a definição do movimento que sai destes dois encontros – o primeiro foi em Junho – não se decide “por decreto”.
“Isto não é um movimento que se faz com varinha mágica: está aqui um partido”, afirmou, com um sorriso. No seu discurso, Manuel Alegre voltou a criticar algumas opções do Governo do seu partido, liderado por José Sócrates – como já fizera na primeira acção deste fórum, no comício da Trindade, em Junho.
Para Manuel Alegre, “há qualquer coisa do avesso” quando o novo Código do Trabalho “é elogiado pelo presidente da CIP” ou de “obstinado e cego e surdo quando se insiste numa avaliação (…) que está a paralisar a escola pública”. Outra crítica dirigida ao executivo foi quando, depois de citar Antero de Quental, disse que “os explorados, os oprimidos, os deserdados da vida foram e continuam a ser a razão de ser da esquerda”.
“É por eles que estamos aqui, não pelas grandes fortunas do Banco Privado Português”, afirmou.
Manuel Alegre apontou as dez prioridades apontadas por esta nova “base programática”, “alternativas ao modelo neo-liberal e especulativo”, a começar pelo “abandono da agenda da ‘flexigurança’ por uma agenda do ‘bom emprego’”.
Outras dessas prioridades são “combater a especulação financeira e o reforço dos poderes de regulação do Estado”, o investimento público em sectores produtivos, “a distribuição mais equitativa da riqueza”, políticas contra a pobreza, a defesa da escola pública, do Serviço Nacional de Saúde.
Na sua intervenção, a dirigente e deputada do BE Ana Drago defendeu ser necessário “um compromisso de mudança” e um diálogo à esquerda.
“Hoje, aqui, dizer que não nos conformamos em caminhar para uma democracia ‘aguada’, para um país espartilhado, pela pobreza persistente, pela privatização dos bens públicos, não é apenas um grito de alta. É assumir um compromisso de mudança”, disse.
Aplaudido de pé, numa plateia onde se viam muitos dirigentes do Bloco de Esquerda como Miguel Portas ou Luís Fazenda, deputadas socialistas como Teresa Portugal, Manuel Alegre defendeu “uma democracia mais limpa, mais justa, mais solidária”.

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