Salvaterra é Fixe - Editor: José Peixe

Saúde

26 de Abril de 2009

Falta de médicos no distrito

Falta de médicos de família preocupa autarcas do Ribatejo
Falta de médicos de família preocupa autarcas do Ribatejo

O presidente da Câmara de Santarém (PSD) afirmou hoje à Lusa que a falta de médicos de família na região é “caso de emergência social” e está a dar origem a uma situação “altamente preocupante”.

Segundo disse Moita Flores, a região apresenta populações “muito desiquilibradas, com muita gente jovem nas sede de distrito, mas com uma imensa área que apresenta populações muito envelhecidas”.

“É altamente preocupante a ausência de médicos de família para estas franjas populacionais, que são maioria em muitos concelhos da nossa região, o que se pode configurar como um caso de emergência social”, afirmou.

O comentário do autarca surge na sequência das declarações de Octávio Augusto, responsável pela direcção da organização do PCP/Santarém, que hoje manifestou “sérias preocupações” relativamente à falta de médicos de família no distrito onde “mais de 75 mil utentes estão hoje sem médico de família”.

Segundo afirmou o dirigente partidário, “o facto configura um problema gravíssimo sendo que, até ao final do ano, estes valores devem disparar para o dobro, com todas as nefastas consequências daí inerentes”.

“Esta grave situação está a ocorrer em Abrantes, mas também um pouco por todo o distrito, como em Constância, Alpiarça, Benavente, Salvaterra, Torres Novas e Santarém”.

Segundo disse, “o PCP vai tomar a iniciativa, na Assembleia da República, de propôr um plano de emergência distrital porque estamos à beira da ruptura em vários municípios e urge tomar medidas excepcionais”.

O presidente da Câmara de Abrantes, Nelson de Carvalho (PS), afirmou à Lusa que não é possível ter populações inteiras sem médico de família” e que “vários” presidentes de junta de freguesia têm manifestado essa preocupação “muito séria e real” junto da autarquia.

“Vamos reunir em breve com as entidades responsáveis para tentar fazer parte de uma solução de reorganização de serviços, que será sempre de recurso, e que possa minimizar os efeitos desta falta de médicos de clínica geral”, afirmou.

Segundo disse, “o nosso contributo, enquanto autarquia, é participar e colaborar com as entidades competentes, quer no debate quer no modelo organizativo a implementar, sendo certo que não há médicos de família e não existe uma solução para este caso”.

Também António Mendes (CDU), presidente da Câmara de Constância, afirmou hoje à Lusa estar “muito preocupado” com a actual situação que se verifica na Extensão de Saúde de Montalvo, onde 1300 utentes estão desde o início do mês sem médico de família.

Segundo disse, “a falta de médico de família remete os utentes para o Centro de Saúde de Abrantes onde, para além de não terem garantias de atendimento, o médico desconhece o seu historial clínico e até pessoal e familiar, o que contraria toda a filosofia da figura do médico de família”.

“É urgente a resolução desta situação que dificulta com enorme peso o acesso a um direito que é de todos, não se afigurando possível que a actual situação se arraste por tempo indeterminado”, afirmou.

Fernando Siborro, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Zêzere (ACES), disse hoje à agência Lusa que é “impossível solucionar a questão” da falta de médicos de saúde familiar porque “os que deixaram de trabalhar por motivos de serviço, de aposentações e de saúde não têm quem os substitua”.

“Com os meios que temos, o que podemos fazer é apelar à compreensão das pessoas até porque vamos atravessar agora o pior momento em termos de falta de meios humanos, em especial de médicos de clínica geral, o que irá afectar directamente os centros de saúde que já sentem muito essa carência”.

“Anunciam-se dias mais difíceis porque há muitos médicos que se vão reformar nos próximos tempos e não vai novos profissionais para os substituir a curto, ou mesmo a médio prazo”, concluiu o responsável.

  1. Além da falta de médicos também assistimos a um fenómeno igualmente grave que é a falta de recursos dos pronto socorros (Inem e afins) de uma forma geral no país mas reflectido de forma pior nas terras onde não tem urgências nocturnas nos Centros de saúde. È difícil o pronto socorro chegar a ruas não conhecidas ou povoações de difícil acesso. Além disso a maioria desses carros não têm sistema de navegação auxiliar (GPS) e que pode reflectir-se na morosidade em atender pessoas que vivam em sítios mais isolados.
    Outra situação a corrigir a nível nacional, já que muitas urgências nos centros de saúde foram fechadas é o recurso aos médicos locais, em sistema de rollement ficarem em prevenção nocturna e devidamente pagos pelas autarquias locais relativamente a esse trabalho extra.
    E esta, hein?
    Gostei de ler o artigo.

    Comment por Paula — 26 de Abril de 2009 @ 15:44
  2. Ainda relativamente ao argumento que refere a dificuldade na substituição dos médicos que se aposentaram nas várias localidades, verifica-se no nosso país a contratação de médicos espanhois ou de outra nacionalidade para preencherem esse postos. Por isso ao apelar para a “compreensão” da população é sempre bom lembrar que há povo sem recursos financeiros para recorrer á privada e assim “pimenta no olho do outro é colírio”? Para reflectir…

    Comment por Paula — 26 de Abril de 2009 @ 15:51

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