Falta de médicos no distrito

- Falta de médicos de família preocupa autarcas do Ribatejo
O presidente da Câmara de Santarém (PSD) afirmou hoje à Lusa que a falta de médicos de família na região é “caso de emergência social” e está a dar origem a uma situação “altamente preocupante”.
Segundo disse Moita Flores, a região apresenta populações “muito desiquilibradas, com muita gente jovem nas sede de distrito, mas com uma imensa área que apresenta populações muito envelhecidas”.
“É altamente preocupante a ausência de médicos de família para estas franjas populacionais, que são maioria em muitos concelhos da nossa região, o que se pode configurar como um caso de emergência social”, afirmou.
O comentário do autarca surge na sequência das declarações de Octávio Augusto, responsável pela direcção da organização do PCP/Santarém, que hoje manifestou “sérias preocupações” relativamente à falta de médicos de família no distrito onde “mais de 75 mil utentes estão hoje sem médico de família”.
Segundo afirmou o dirigente partidário, “o facto configura um problema gravíssimo sendo que, até ao final do ano, estes valores devem disparar para o dobro, com todas as nefastas consequências daí inerentes”.
“Esta grave situação está a ocorrer em Abrantes, mas também um pouco por todo o distrito, como em Constância, Alpiarça, Benavente, Salvaterra, Torres Novas e Santarém”.
Segundo disse, “o PCP vai tomar a iniciativa, na Assembleia da República, de propôr um plano de emergência distrital porque estamos à beira da ruptura em vários municípios e urge tomar medidas excepcionais”.
O presidente da Câmara de Abrantes, Nelson de Carvalho (PS), afirmou à Lusa que não é possível ter populações inteiras sem médico de família” e que “vários” presidentes de junta de freguesia têm manifestado essa preocupação “muito séria e real” junto da autarquia.
“Vamos reunir em breve com as entidades responsáveis para tentar fazer parte de uma solução de reorganização de serviços, que será sempre de recurso, e que possa minimizar os efeitos desta falta de médicos de clínica geral”, afirmou.
Segundo disse, “o nosso contributo, enquanto autarquia, é participar e colaborar com as entidades competentes, quer no debate quer no modelo organizativo a implementar, sendo certo que não há médicos de família e não existe uma solução para este caso”.
Também António Mendes (CDU), presidente da Câmara de Constância, afirmou hoje à Lusa estar “muito preocupado” com a actual situação que se verifica na Extensão de Saúde de Montalvo, onde 1300 utentes estão desde o início do mês sem médico de família.
Segundo disse, “a falta de médico de família remete os utentes para o Centro de Saúde de Abrantes onde, para além de não terem garantias de atendimento, o médico desconhece o seu historial clínico e até pessoal e familiar, o que contraria toda a filosofia da figura do médico de família”.
“É urgente a resolução desta situação que dificulta com enorme peso o acesso a um direito que é de todos, não se afigurando possível que a actual situação se arraste por tempo indeterminado”, afirmou.
Fernando Siborro, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Zêzere (ACES), disse hoje à agência Lusa que é “impossível solucionar a questão” da falta de médicos de saúde familiar porque “os que deixaram de trabalhar por motivos de serviço, de aposentações e de saúde não têm quem os substitua”.
“Com os meios que temos, o que podemos fazer é apelar à compreensão das pessoas até porque vamos atravessar agora o pior momento em termos de falta de meios humanos, em especial de médicos de clínica geral, o que irá afectar directamente os centros de saúde que já sentem muito essa carência”.
“Anunciam-se dias mais difíceis porque há muitos médicos que se vão reformar nos próximos tempos e não vai novos profissionais para os substituir a curto, ou mesmo a médio prazo”, concluiu o responsável.
Além da falta de médicos também assistimos a um fenómeno igualmente grave que é a falta de recursos dos pronto socorros (Inem e afins) de uma forma geral no país mas reflectido de forma pior nas terras onde não tem urgências nocturnas nos Centros de saúde. È difícil o pronto socorro chegar a ruas não conhecidas ou povoações de difícil acesso. Além disso a maioria desses carros não têm sistema de navegação auxiliar (GPS) e que pode reflectir-se na morosidade em atender pessoas que vivam em sítios mais isolados.
Outra situação a corrigir a nível nacional, já que muitas urgências nos centros de saúde foram fechadas é o recurso aos médicos locais, em sistema de rollement ficarem em prevenção nocturna e devidamente pagos pelas autarquias locais relativamente a esse trabalho extra.
E esta, hein?
Gostei de ler o artigo.
Ainda relativamente ao argumento que refere a dificuldade na substituição dos médicos que se aposentaram nas várias localidades, verifica-se no nosso país a contratação de médicos espanhois ou de outra nacionalidade para preencherem esse postos. Por isso ao apelar para a “compreensão” da população é sempre bom lembrar que há povo sem recursos financeiros para recorrer á privada e assim “pimenta no olho do outro é colírio”? Para reflectir…