Salvaterra é Fixe - Editor: José Peixe

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Crónicas, Opinião, Política Nacional

9 de Janeiro de 2010

Os Portugueses

PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS
Eduardo Prado Coelho – in Público

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.

Agora dizemos que Sócrates não serve.

E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.

Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.

O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.

Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal
E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos… e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:

-Onde a falta de pontualidade é um hábito;

-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.

-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.

-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é ‘muito chato ter que ler’) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.

-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser ‘compradas’, sem se fazer qualquer exame.

-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.

-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.

-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como ‘matéria prima’ de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa ‘CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA’ congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte…

Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada…

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa ?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa ‘outra coisa’ não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados… igualmente abusados !

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda…

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.

Está muito claro… Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:

Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

 E você, o que pensa ?… MEDITE !

Crónicas, Opinião

6 de Dezembro de 2008

Crónicas da Serra da Folga

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Créditos Fotográficos: “Jornal Fundamental”.

A PRESIDENTE AUSENTE E DESCONTENTE
Nos últimos tempos os comentários que se fazem do “Salvaterra é Fixe” são sempre a questionar porque é que nós não escrevemos mal da presidente “Anita”. Andam indignados os Camaias, os Loçeras, os Vermelhaços, os Toininhos, os Ingleses e todos os CANALHAS que se escondem por detrás do anonimato. Alguns deles já tiveram blogues. Mas, acabaram por encostar às boxes. Não sabemos se por incompetência, se por medo ou incapacidade.
Nós continuamos este percurso “blogueiro” num concelho onde a Rádio local provoca náuseas e indisposição física. Continuamos vivinhos da silva para o que der e vier. Dando a cara pelos Posts que editamos. E saimos à rua sem medos ou receios. Continuamos com a mesma verticalidade com que iniciamos. Não rastejamos como vermes ou parasitas.
Durante um ano fomos massacrados com interrogatórios policiais e com investigações criminais. Enfrentamos um dos maiores advogados do país: Celso Cruzeiro e nunca nos refugiamos em lado nenhum. Acreditamos num dos direitos fundamentais da pessoa humana: a Liberdade de Expressão. E na Justiça. Fomos absolvidos.
Já escrevemos dezenas de artigos de opinião contra a senhora presidente, contra o presidente da Junta de Freguesia de Salvaterra de Magos, contra o vereador João Abrantes, contra os falsos bloquistas e oportunistas que existem no concelho, contra alguns ministros e até contra o Primeiro Ministro José Sócrates. Mas sempre assumimos aquilo que escrevemos.
Agora até nos acusam de ter um “tacho” na Câmara Municipal. De ser amiguinhos da “Anita” e de convivermos com o João Nunes na Cabana dos Parodiantes, só porque não têm surgido escritos no blogue “Salvaterra é Fixe” contra a “Anita”.
Mas o que se pode escrever contra uma presidente ausente e descontente com todos os vereadores que a rodeiam? Que mal se pode dizer de uma presidente que está desejosa que cheguem as próximas eleições autárquicas para pôr esta “maralha” fora da autarquia e “derreter” toda a oposição que não tem feito nada?
Obviamente que não podemos escrever nada. Nem bem nem mal.
Ponham-se na situação da “Anita”:
- Rodeada de vereadores como o João Oliveira, Francisco Monteiro e João Abrantes.
- Com uma oposição que não dá sinais de vida: José Pedrosa (PSD), Vasco Feijão (CDU) e Nuno Antão (PS).
O que apetece fazer?
Nada. Rigorosamente nada.
Apenas devemos dizer que a “Anita” tem uma equipa de vereadores, alguns assessores e conselheiros do Bloco de Esquerda que são uma nódoa. Deve afirmar-se que por causa dessa “gentalha” o concelho de Salvaterra de Magos não avança nem pula rumo ao progresso e ao desenvolvimento.
Costuma dizer-se que “pimenta na bunda dos outros para nós é refresco”. Essa é a postura política que esses trogloditas utilizam quando se refugiam no anonimato. Quando enviam emails anónimos. Quando rosnam pelos cafés e outros lugares públicos e comerciais.
A nossa postura enquanto responsáveis pelo “Salvaterra é Fixe” será apenas a de meros observadores. Não se escondemos atrás do anonimato e recusamos ser moços de recados. Não estamos ao serviço de capangas, mafiosos ou de padrinhos políticos.
Aproveitem o Fim de Semana prolongado e façam os vossos blogues para dizer mal da “Anita” só por dizer.
Nós vamos curtindo os aromas da crise socrática em Santa Maria da Glória, terra onde o vereador João Abrantes se recusa a vir enquanto vereador. Talvez um dia regresse ao serviço da EDP.
Bom Feriado e não abusem das iguarias caseiras.
Nós continuaremos a disfrutar do belo tacho autárquico fictício que nos foi arranjado pela “Anita” na Câmara Municipal de Salvaterra de Magos.
Têm inveja é? Arranjem um “tacho” como eu.
Vão-se ….. . … ……..

Ambiente, Crónicas, Polícia

20 de Agosto de 2008

Barco do Greenpeace em Lisboa

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UM BARCO AO SERVIÇO DO AMBIENTE
Um dos três navios da Greenpeace, o quebra-gelo Artic Sunrise, chega a Lisboa quinta-feira, ao cais de Alcântara, depois de três meses no Mediterrâneo a denunciar actividades destrutivas e a documentar as áreas marinhas que necessitam de protecção.
A paragem do navio em águas portuguesas tem como objectivo divulgar a campanha de mercado de peixe da Greenpeace, que tem como objectivo diminuir a comercialização no mercado nacional de espécies consideradas em vias de extinção, como o salmão, o bacalhau ou o espadarte, e ajudar a salvar os oceanos.
Antes de se juntar à frota da Greenpeace, em 1995, o Arctic Sunrise era um navio utilizado na caça às focas baptizado com o nome de Polar Bjorn, e chegou mesmo a ser confrontado por activistas da Greenpeace quando fazia a entrega de equipamentos para a construção de uma pista de aterragem dentro de uma reserva de pinguins na Antárctica, que se destinava à exploração de petróleo e de reservas minerais pelo governo francês.
A primeira campanha do Arctic Sunrise, já nas mãos da Greenpeace, foi uma acção para acabar com o descarte de instalações petrolíferas no mar. Foram lançados ao mar vários activistas que ocuparam a reserva de petróleo Brent Spar, localizada no Mar do Norte, para evitar que fosse afundada uma instalação com 14.500 toneladas.
O Arctic Sunrise tem participado em muitas outras campanhas da Greenpeace, entre as quais uma investigação à poluição de plataformas de petróleo no Mar do Norte, perseguições de embarcações piratas que pescavam ilegalmente no Oceano Índico, confrontos com poluidores no Mediterrâneo.
No último Outono, no oceano Antárctico, o Arctic Sunrise chegou a ser atacado e danificado pelo navio-fábrica da frota baleeira japonesa, o Nisshin Maru.

Crónicas

13 de Julho de 2008

Opinião: Crónica da Serra da Folga

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MELROS, COTOVIAS E OUTRAS AVES DE CAPOEIRA

Esta manhã decidi dar uma volta pela charneca gloriana para matar saudades. Pûs a “velha” Datzun Pickup 1300 (a gasolina!) a funcionar e circulei por todos os carris conhecidos e desconhecidos. À medida que ia andando a tristeza e a melancolia foram tomando conta do meu ego.
Onde outrora houve searas de milho, trigo ou aveia só se vê eucaliptos. Alguns vales férteis em água, onde nos anos 60 e 70, se chegou a produzir arroz estão completamente abandonados. E as silvas (cuidado porque não falei do Presidente Silva!) tomaram conta.
No caminho que me conduziu ao Valão, passei pelo Ribeiro do Sabadoiro que não tem uma gota de água. Quantos rapazes da minha idade não fizeram pescarias nesse ribeiro ou não mergulharam no “péu” da Areia Branca.
De passagem pela Barragem de Magos, percebi que continua tudo na mesma. Nada mudou. Alguns pescadores do fim de semana apanhando peixes gatos ou percas e tomando umas cervejolas. Em alguns lugares a água até chega a meter nojo. A Barragem de Magos que foi para muitos meninos do concelho de Salvaterra a única colónia de férias possível, continua entregue a ela mesma.
Pensei baixinho: ai se este espaço estivesse na Europa Central ou na Escandinávia!
De regresso a casa, fiz aquele percurso sinistro e acidentado que liga o Rei da Azinheira até às Janeiras de Baixo. Tudo na mesma como a lesma. Esta é uma daquelas estradas que os polítcos cá do burgo já prometeram alcatroar algumas vezes. Mas como diz a moçarada, “até agora népia!”.
Á entrada das Janeiras bati de caras com a RARET. Ela que já chegou a ser encarada como o futuro e a salvação das nossas gentes continua completamente abandonada. E aquele campo de golfe, o hotel, as vivendas de luxo e o Centro de Congressos que foram apresentados na Junta de Freguesia da Glória? Já ninguém se lembra de nada.
Valeu esta saída pelo facto de ter visto alguns melros nas Janeiras de Baixo à procura de minhocas nas terras que tinham sido remexidas ao raiar do sol. Também ouvi cantar uma cotovia. Mas a pardalada que tem responsabilidades neste concelho, a estas horas da manhã ainda estavam a dormir. Ou então, na melhor das hipóteses estavam a caminho da praia da Figueirinha.
A anónima pardaloca (que cá para mim não passa de uma arvela!), continua a remoer o problema dos estábulos irlandeses e desconhece que aqui na terra que em tempos encantou Alves Redol, existem conterrâneos nossos que vivem em condições mais degradantes do que aqueles que estão sujeitos aos estábulos.
Mas enfim… não foi por acaso que o José Saramago escreveu o “Ensaio sobre a Cegueira”.
Continuação de umas Boas Férias e bons mergulhos no Atlântico.


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