Salvaterra é Fixe - Editor: José Peixe

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Crise, Debate, Desemprego

15 de Junho de 2009

Para reflexão dominical

O “APAGÃO” NO DESEMPREGO REGISTADO NO IEFP E A ELIMINAÇÃO SISTEMÁTICA DE DESEMPREGADOS NOS FICHEIROS DO IEFP QUE NUNCA FOI EXPLICADA 

Ontem, 18 de Maio, quase todos os órgãos de informação deram grande destaque ao “apagão” (eliminação)  nos ficheiros do IEFP de 15.000 desempregados. O presidente do IEFP, não podendo negar facto, em conferencia de imprensa veio dizer que isso teve como causa um erro informático (a informática tem costas largas) e que iria ser rapidamente corrigindo, não afectando os desempregados atingidos. E simultaneamente criticou aqueles que afirmaram que é uma praticada reiterada do IEFP para manipular os dados do desemprego registado, apresentando assim valores mais baixos e favoráveis ao governo, ameaçando todos o que afirmaram isso com processos em tribunal, nomeadamente o Sindicato Nacional dos Técnicos de Emprego que denunciou a situação.    

No entanto, o presidente do IEFP, assim como o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social  continuam a recusar esclarecer um “estranho fenómeno” que todos os meses acontece no IEFP revelado nos dados divulgados por este Instituto público tutelado pelo ministro do Trabalho, que temos vindo a denunciar há vários anos a esta parte .. 

O quadro seguinte, construído com dados também constantes do Boletim Estatístico de Março de 2009 do Ministério do Trabalho e da  Solidariedade Social, mostra o “estranho fenómeno” que todos os meses acontece com os ficheiros do IEFP.. 

QUADRO I – Novos desempregados registados, desempregados colocados e saldo dos não colocados no 1º Trimestre 2009 pelos Centros de Emprego

MÊS Novos desempregados inscritos durante o mês  nos Centros Emprego

(1)

Colocações pelos Centros de Emprego

(2)

Novos desempregados não colocados

SALDO

3 = (2-1)

Jan-09 70.334 4.219 66.115
Fev-09 60.577 3.533 57.044
Mar-09 65.743 4.824 60.919
SOMA 196.654 12.576 184.078
FONTE: Boletim Estatístico – Março de 2009 – pág. 10 – Gabinete de Estatística e Planeamento – Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social

 

Portanto, de acordo com os próprios dados do IEFP divulgados pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, durante o 1º Trimestre de 2009, os novos desempregados que se inscreveram nos Centros de Emprego somaram 196.654. Deste total, os Centros de Emprego só conseguiram colocar (arranjar emprego) para 12.576, o que significa  que 184.078 não foram colocados pelo IEFP. No entanto, entre 31 de Dezembro de 2008 e 30 de Março de 2009, o total de desempregados inscritos nos Centros de Emprego aumentou apenas  de 416.005 para 484.131, ou seja, somente em 68.126 como mostra o quadro seguinte, construído também com dados do Boletim Estatístico do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. 

QUADRO II – A variação do desemprego registados nos Centros de Emprego segundo o IEFP no período compreendido entre 31 de Dezembro de 2008 e 30 de Março de 2009

MÊS Numero total de desempregados registados nos Centros de Emprego seguindo o IEFP
31 Dezembro de 2008 416.005
31 Janeiro de 2009 447.966
28 Fevereiro de 2009 469.299
31 Março de 2009 484.131
AUMENTO entre 31 Dezembro 2008 e 31 Março 2009 68.126

FONTE: Boletim Estatístico – Março de 2009 – pág. 11 – Gabinete de Estatística e Planeamento – Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social  

Portanto, só no primeiro trimestre de 2009, foram eliminados dos ficheiros dos Centros de Emprego  115.952 desempregados (184.078 – 68.126), como revelam os próprios dados do IEFP.

 

E não se pense que este “estranho fenómeno” apenas se limitou ao 1º Trimestre de 2009. Ele tem –se verificado de uma forma sistemática nos últimos anos no IEFP. Basta analisar os dados que o IEFP divulga todos os meses, compará-los e fazer contas. 

O quadro seguinte, igualmente construído com os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, mostra a dimensão desse “estranho fenómeno” que o governo e o presidente do IEFP continuam a recusar-se explicar, no ano de 2008. 

QUADRO III – Número de desempregados que se inscreveram mensalmente nos Centros de Emprego, número total dos colocados, e total de desempregado divulgado pelo IEFP no período Jan2008 a Dez2008

Meses/ano Desempregados  que se inscreveram mensalmente nos centros de emprego Colocações feitas pelos Centros de Emprego em cada mês TOTAL Desempregados divulgados mensalmente pelo IEFP
Jan-08 55.252 4.869 399.674
Fev-08 43.993 4.646 398.579
Mar-08 42.993 5.151 391.026
Abr-08 46.116 5.352 386.341
Mai-08 42.566 5.361 383.357
Jun-08 43.474 5.047 382.496
Jul-08 50.748 6.157 381.776
Ago-08 43.147 5.127 389.944
Set-08 65.895 6.785 395.243
Out-08 66.002 6.716 400.814
Nov-08 59.307 5.589 408.598
Dez-08 48.603 3.721 416.005
SOMA 608.096 64.521  
Desempregados não colocados pelo IEFP 543.575
Variação do desemprego registado entre Jan-Dez08 16.331

FONTE: Boletim Estatístico – Março de 2009 – pág. 10 – Gabinete de Estatística e Planeamento – Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social  

Portanto, durante o ano de 2008 inscreveram-se nos Centros de Emprego 608.090 novos desempregados. Os Centros de Emprego, durante todo o ano de 2008, (colocaram) arranjaram emprego para apenas 64.521 desempregados. Se deduzirmos este valor – 64.521 – ao total de desempregados que se inscreveram nos Centros durante o ano de 2008 – 608.096 – ainda ficam 543.575 que o IEFP não conseguiu arranjar emprego. No entanto, entre Janeiro de 2008 e Dezembro de 2008 o numero total de desempregados registados nos Centros de Emprego passou de 399.674 para 416.005, ou seja, aumentou apenas em 16.331.  

A pergunta imediata que se coloca é a seguinte: Como é que desapareceram 527.244 (543.575 – 16.331) desempregados dos ficheiros do IEFP? Quais foram as razões que justificaram a eliminação de um número tão elevado de desempregados dos ficheiros do IEFP? Este é um “estranho fenómeno” que sucede todos os meses no IEFP que o seu presidente, Francisco Madelino, se tem recusado sistematicamente a explicar. É altura de o fazer perante o descrédito que poderá atingir o IEFP determinado pelo “apagão do desemprego”.  

Durante o debate do Orçamento do Estado para 2009 na Assembleia da República, em que participamos, colocamos esta questão directamente ao ministro do Trabalho e Solidariedade Social. Ele apenas conseguiu dizer que menos de metade era explicado pelo facto dos próprios desempregados arranjarem emprego, ficando por explicar o que acontecia ao restante, que é mais de metade. 

Eugénio Rosa

Economista – 19 de Maio de 2009

edr@masil.telepac.pt

Debate, Opinião

23 de Novembro de 2008

O Bloco de Esquerda em Salvaterra

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Os falsos bloquistas e oportunistas da Glória

A FORMA COMO TRATARAM MIGUEL PORTAS
Decidi escrever este pequeno post apenas para desmascarar alguns falsos bloquistas que existem na Glória do Ribatejo. Aqueles “ex-comunistas” ressabiados e oportunistas da política local que encontraram no Bloco de Esquerda (BE) um porto ideal para poderem ancorar as suas velhas embarcações ideológicas.
Aqueles que sempre viveram no lodo político local e que nem sequer aceitam que o mundo está em mudança. Aqueles que se habituaram a viver à babugem. Aqueles que um dia o PCP decidiu expulsar das suas fileiras.
A forma como o eurodeputado Miguel Portas foi recebido por essa gentalha foi uma vergonha! Não tenho memória de um cenário idêntico em mais de 23 anos de jornalismo.
Quantas pessoas sabiam no concelho de Salvaterra de Magos que o eurodeputado Miguel Portas estaria na Junta de Freguesia da Glória do Ribatejo para uma sessão pública dedicada à CRISE globalizada que estamos a viver?
Quem foram os (ir)responsáveis por divulgar este evento junto das populações?
Ficou provado que essa divulgação não foi feita com seriedade, dedicação e responsabilidade política. E por essa razão é que estiveram apenas 16 pessoas a assistir à magnífica intervenção de Miguel Portas.
Se calhar também foi por isso que a senhora presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos também decidiu não marcar presença. Talvez a “Anita” começe a perceber quem são aqueles oportunistas que a rodeiam.
E não queiram saber o incómodo que foi para esses falsos bloquistas (Bernardino + Octávio), terem que suportar a presença de alguém que decidiu fotografar o eurodeputado Miguel Portas, cumprindo a sua missão de jornalista profissional.
Afinal de contas o debate “Que saídas para a Crise?” com Miguel Portas era mesmo uma sessão pública ou foi organizado para satisfazer o ego de uma dúzia de ex-comunistas frustrados e dois assessores de imprensa?

Crise, Debate

22 de Novembro de 2008

Mais um debate e a CRISE continua

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Miguel Portas: “É urgente terminar com as Offshores!”

A VAMPIRIZAÇÃO DA ECONOMIA
O eurodeputado do Bloco de Esquerda (BE), Miguel Portas, não conseguiu encher o salão de reuniões da Junta de Freguesia de Glória do Ribatejo. Porquê? Porque os “camaradas” bloquistas no nosso concelho não divulgaram a palestra! O debate começou morno, mas com o decorrer do tempo ficou animado. Valeu a pena escutar este político esquerdista. Uma aula de economia brilhante. Um orador formidável.
Mas no final do debate os comentários eram os seguintes:
- A Crise vai continuar por mais tempo; Ela veio para ficar; Vai durar 10 anos;
- O homem tem uma excelente oratória, mas a verdade é que ele, sendo eurodeputado, não deve estar em crise.
Se o Toino Ceguinho fosse vivo fazia a seguinte observação: “Os ricos que paguem a crise!”.
Só que isso não está a acontecer. Quem está a pagar a crise são os contribuintes e a classe média.
Os banqueiros, esses continuam a encher os bolsos à custa do Zé Povinho.
E sobre esta palestra resta-nos dizer o seguinte: porque não foi divulgada como devia ser? Quantas pessoas sabiam que o Miguel Portas vinha à Junta de Freguesia de Glória do Ribatejo falar desta crise global?
Desabafo: foi uma conversa para um elite de “falsos bloquistas”.
Pergunta: porque é que a senhora presidente da Câmara Municipal de Salvaterra não marcou presença neste debate interessantíssimo?


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