4 de Fevereiro de 2009

REGIMES AUTOCRÁTICOS MATAM JORNALISTAS
Catorze jornalistas morreram no mês de Janeiro no exercício da sua profissão, informou ontem a ONG – Emblema Campanha de Imprensa num comunicado.
A organização explica que Janeiro de 2009 foi um “mal começo de ano para os jornalistas”, pois conseguiu ser o mês mais trágico desde Agosto de 2008, onde faleceram 15 profissionais da informação.
Em 2008, o número de jornalistas mortos em serviço foi de 91, o que equivale a dois mortos por semana.
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7 de Dezembro de 2008
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Jornalismo, pudor e comodismo

A IMAGEM MEDIÁTICA DOS MEDIA
«A nossa imprensa traz pouca informação. Muita análise, intriga, provocação, boato, emoção, combate, mas pouca informação. O público não quer jornalismo, quer entretenimento. Para ter sucesso o repórter precisa de ter graça, ser espirituoso, ver o aspecto insólito. Assume uma atitude de suposta cumplicidade com o leitor, ouvinte ou espectador desmontando para gáudio mútuo o ridículo que achou que devia reportar. Antecipa no relato o que assume ser o veredicto popular, condenando ou absolvendo aqueles que devia apenas retratar.
Assiste-se a uma verdadeira caça ao deslize, empolado até à hilaridade. Só triunfa se apanhar desprevenido e atrapalhar o entrevistado. Enquanto descreve o que vê quase às gargalhadas, não se dá conta da perda de dignidade profissional. Tem sucesso, mas não rigor. Quem segue a notícia fica com a sensação de ouvir aquele que, dos presentes, menos entendeu o que se passou no acontecimento.»
João César das Neves, “Diário de Notícias”, 1 de Dezembro de 2008
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4 de Agosto de 2008
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A INSPECÇÃO GERAL DO TRABALHO NÃO APARECEU

ESTÁ NA HORA DO PODER POLÍTICO INTERVIR
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou hoje “vergonhosa” a situação de O Primeiro de Janeiro pois sustenta que, saindo um novo jornal, este deve ser produzido prioritariamente pelos jornalistas que o faziam pois “foram eles os explorados pela empresa”.
Ilídia Pinto, representante do SJ presente na manifestação desta manhã frente à redacção, aconselhou os trabalhadores de O Primeiro de Janeiro a continuar a comparecer no local de trabalho até que recebam as cartas de despedimento.
Paulo Almeida, jornalista do O Primeiro de Janeiro e porta-voz da redacção, demitida na passada quinta-feira, considerou que o processo em causa “começou bastante torto”.
Frisou que os “jornalistas não foram tratados como se impunha já que muitos trabalhavam no jornal há mais de uma década e foram tornados descartáveis”.
“Os despedimentos têm leis a serem cumpridas e não o foram. Por isso não assinámos a rescisão dos contratos porque não nos davam garantias”, acrescentou.
O jornalista admitiu que a equipa que fazia o matutino está “bastante desanimada” e apelou aos colegas, que entretanto passaram a redigir o jornal, que “reflectam sobre esta situação”.
O novo O Primeiro de Janeiro está a ser redigido pelos jornalistas de O Norte Desportivo, caderno desportivo que integrava o centenário jornal portuense.
Rui Alas, o novo director do Janeiro e antigo director do Norte Desportivo, esclareceu que apenas soube que iria ser responsável pelo novo projecto no passado sábado e que a equipa tomou domingo conhecimento disso.
“Esta redacção é constituída por 10 jornalistas com carteira profissional mais colaboradores e opionistas”, revelou.
Alas sustentou que aqueles trabalhadores “perceberam perfeitamente que não estavam a roubar nada a ninguém” por se tratar de “um novo projecto”.
“Esta equipa não tem nada a ver com isso (despedimento da redacção do Janeiro) e quer apenas trabalhar”, frisou.
O novo O Primeiro de Janeiro está “adaptado aos tempos modernos e utiliza os recursos da empresa como o Notícias da Manhã” de Lisboa e do Diário XXI da Beira Interior”.
“Notícias da Manhã” e “Diário XXI” da Beira Interior são dois títulos da mesma empresa, Fólio, que, tal como o novo Janeiro, estão nas bancas de segunda a sexta-feira.
Quanto à explicação para o despedimento colectivo da antiga redacção, Rui Alas avança que “se calhar a administração não conseguiu suportar a situação porque era um barco demasiado grande”.
A antiga redacção de O Primeiro de Janeiro contava com 32 jornalistas divididos por várias secções.
Os jornalistas aguardavam, na manhã de hoje, a chegada da Inspecção-Geral do Trabalho, o que não se verificou.
COMENTÁRIO DO EDITOR:
Existe alguém no Ministério do Trabalho que seja capaz de averiguar e questione quais foram as razões que levaram os Inspectores do Trabalho não quiseram comparecer nas instalações do jornal “O Primeiro de Janeiro”?
O próprio Ministro Santos Silva (que é do Porto!) poderá accionar algum mecanismo para saber o que se passa na Redacção de um dos jornais mais antigos do país. Ou estará a “curtir” as suas férias na praia dos tomates, no Algarve.
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3 de Maio de 2008
GRUPOS ECONÓMICOS CONTROLAM OS MEDIA
A propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se celebra hoje, instituído em 1993 pela UNESCO, vários deputados da oposição criticaram, em declarações à Lusa, “o controlo dos meios de comunicação social por grandes grupos económicos” e “a precariedade das condições de trabalho dos jornalistas”.
Para assinalar a data o Sindicado dos Jornalistas Portugueses organiza hoje, na sua sede em Lisboa, um Encontro Nacional de Jornalistas Freelance e Precários. Mais um encontro que vai servir apenas para se chegar à conclusão de que em Portugal existe muita “pressão” sobre os jornalistas.
Curiosamente essas “pressões” costumam vir de alguns profissionais que na Revolução dos Cravos lutaram pela Liberdade de Imprensa em Portugal. Mas os tempos mudaram e hoje, eles não se importam de “escravizar” os estagiários. Estão ao lado dos grupos económicos que controlam todos os Media no nosso país. O Sindicato dos Jornalistas sabe quem são eses jornalistas “servilistas”.
“A própria situação de precariedade laboral de jornalistas a recibos verdes acaba por influenciar a liberdade de imprensa. Obviamente que esta situação nos preocupa”, disse à agência Lusa Cristina Andrade, membro do movimento Fartos D´Estes Recibos Verdes (FERVE).
Cristina Andrade desconhece o número exacto de jornalistas inscritos neste movimento, mas adianta que “a área do jornalismo é das que tem mais trabalhadores a recibos verdes e em situação precária”.
“Os profissionais da área de Comunicação Social divulgam notícias diárias sobre precariedade e falsos recibos verdes quando a maior parte deles se encontra nessa situação, o que é caricato”, referiu.
Portugal no seu melhor.
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2 de Maio de 2008
AFINAL VOLTAMOS AOS DESPEDIMENTOS COLECTIVOS NOS JORNAIS
As comemorações do Dia do Trabalhador foram ontem. Hoje, trabalhadores do jornal “Record” estão a votar para saber qual vai ser a posição a adoptar contra o despedimento de 11 profissionais, anunciado pela administração este mês. Pode haver uma manifestação, paralisações parciais de trabalho ou uma greve no diário desportivo.
Reunidos na quarta feira em plenário, os cerca de 130 trabalhadores do jornal “Record” decidiram adoptar algumas medidas como protesto pelo despedimento de 11 colegas.
Segundo avançou à Lusa uma fonte do diário desportivo, algumas medidas ficaram já decididas, estando 3 moções a votação até ao dia de hoje.
Os trabalhadores decidiram que “vão exigir a suspensão do processo de despedimento colectivo em curso” e a “fixação imediata de horários de trabalho nos termos da lei e do contrato colectivo de trabalho”.
Além disso, adiantou a mesma fonte, “será solicitada à Inspecção Geral do Trabalho que intervenha no processo”.
Para hoje ficou a decisão por uma de três moções apresentadas no plenário de hoje.
“Uma das moções defende que o Sindicato de Jornalistas seja mandatado para determinar greve no dia 12 de Maio e outra que sejam adoptadas paralisações parciais [do trabalho] nos dias 12 e 13 e, possivelmente, nos dias 14 e 15”.
A terceira moção defende “que seja feita uma manifestação por todos os trabalhadores do Record entre o local do jornal e a sede da administração, convocando todos os media para cobrirem o evento”, acrescentou.
A administração do Record, jornal detido pelo grupo Cofina, anunciou no início deste mês que iria dispensar 11 dos seus colaboradores através de um despedimento colectivo.
Os trabalhadores fizeram, na altura, um plenário para exigir que a entidade patronal reconsiderasse a intenção, mas, perante uma resposta negativa, resolveram organizar um segundo plenário, que teve lugar na quarta feira passada.
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