Salvaterra é Fixe - Editor: José Peixe

Archive for Janeiro 3rd, 2009

Crise, Economia

3 de Janeiro de 2009

Muito cepticismo em relação à Crise

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A crise continuará a agravar-se em 2009

2009 PODERÁ SER PIOR QUE 2008
O ano de 2009 poderá ser ainda pior do que 2008 para o sistema financeiro, caso a economia real mantenha a tendência de queda que se tem verificado, prevêem os três especialistas contactados pela agência Lusa.
“2009 vai ser um ano claramente pior do que 2008. A minha expectativa optimista é que 2009 será o pior ano”, disse à Lusa João Duque, professor de finanças na Universidade Técnica de Lisboa (UTL), manifestando receio de que a crise se prolongue e acentue em 2010.
Para João Duque, há duas maneiras de enfrentar e ultrapassar a actual crise: “à bruta, deixando que o que tem de falir vá à falência, ou com intervenção dos governos”.
O docente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da UTL criticou a generalidade dos governos por estarem a intervir em demasia, retardando nalguns casos falências e despedimentos inevitáveis, mas reconheceu que “à bruta” pode ser mais rápido, mas também tem consequências negativas.
“A sociedade hoje é muito sofisticada. Os mecanismos legais, mesmo nos Estados Unidos, não são lestos. Inundar os tribunais com processos de falência entope tudo e depois não se sabe o que fazer”, salientou.
João Duque defendeu uma atitude intermédia, desejando que os governos intervenham menos e deixem que algumas falências aconteçam, permitindo que a saída da crise seja mais rápida, mas sem entupir o sistema judicial.
“Tem de haver sempre intervenção dos governos, mas deve ser muito limitada, no sentido de ajudar quem deve ser ajudado. Há que ter critérios. Não pode ser para toda a gente. Não se podem criar linhas de crédito cegas”, frisou.
Também Pedro Pita Barros, professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, considera que “não se pode atribuir crédito a torto e a direito”.
“Temos de ter algum cuidado na concessão de crédito”, afirmou à Lusa este especialista em competitividade dos mercados, sublinhando que, contudo, “se os bancos restringirem muito, podem cair na armadilha do incumprimento”.
“Quem está disposto a pagar uma taxa de juro muito elevada provavelmente será mais um mau cliente do que um bom cliente”, realçou.
Pedro Pita Barros manifestou-se menos pessimista quanto à evolução dos mercados financeiros em 2009, pelo “resguardo” dado pela zona euro, mas admitiu um agravamento dos problemas que já se sentem na economia real.


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